Ideogramas

HÀNZÌ (汉字) – IDEOGRAMAS CHINESES

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Os Ideogramas Chineses constituem um dos sistemas de escrita mais antigos da humanidade, existindo há mais 4.500 anos.  De acordo com a lenda, eles foram criados por volta de 2.700 A.C., por Cāng Jié (仓颉), um historiador a serviço da corte do lendário Imperador Amarelo, Huángdì (黃帝).

A lenda diz que logo após unificar a China, Huángdì estava insatisfeito com o sistema rudimentar de nós, utilizado até então para gravar as informações, e incumbiu Cāng Jié de criar a escrita chinesa. Cāng Jié, um homem extraordinário, se dedicou muito tempo a tarefa e ao observar as pegadas dos animais, viu  que essas eram distintas em forma e traços e percebeu que se ele pudesse desenhar caracteres especiais que

distinguisse cada coisa, este seria um sistema perfeito de escrita. Deste dia em diante, Cāng Jié se dedicou ao estudo das características de todas as coisas na terra e no céu, observou os animais, as estrelas, as plantas etc. e fez uma longa lista de caracteres que entregou ao imperador.

Conta ainda a lenda que Cāng Jié possuia quatro olhos e que a invenção dos caracteres assombrou as divindades, fazendo uma chuva de grãos despencar dos céus e que espíritos maus gemeram uma noite inteira.

Atualmente Cāng Jié é considerado mais uma figura lendária do que histórica, e se acredita que o complexo sistema de escrita chinês possivelmente foi inventado por mais de uma pessoa, ao longo de muitos anos de experimentação e desenvolvimento.

 

JIĂGŬWÉN  甲骨文

INSCRIÇÕES EM OSSOS DE ANIMAIS E CASCOS DE TARTARUGA

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Os ideogramas chineses mais antigos até hoje encontrados são chamados de jiăgŭwén (甲骨文), ideogramas antigos gravados nos cascos de tartarugas ou ossos de animais, feitos principalmente no período final da Dinastia Shang.

A sua descoberta ocorreu em 1899, por Wáng Yìróng (王懿荣), um erudito. Antes da descoberta, camponeses da vila de Xiǎotún (小屯), em Ānyáng (安阳), província de Hénán (河南), que no passado foi a capital da Dinastia Shang, costumavam encontrar cascos de tartaruga e ossos de animais com inscrições de estranhos caracteres. Eles não sabiam o que era e vendiam como um ingrediente chamado “osso de dragão”, usado em remédios.

 

Wang Yirong descobriu o Jiăgŭwén entre os remédios chineses que ele havia comprado e após pesquisar, verificou que os ideogramas gravados eram da Dinastia Shang, com mais de 3.000 anos de idade. 

 

Os caracteres inscritos encontrados eram em sua maioria preces feitas durante rituais de sacrifícios e adivinhações, como também alguns registros simples. Para usar os cascos e ossos, estes eram limpos e polidos, depois os caracteres eram feitos e a carapaça era posta no fogo. Os sacerdotes previam os acontecimentos segundo a mudança de sinais depois de queimadura.

Já foram encontrados mais do que 150.000 peças de jiăgŭwén nas escavações de  Ānyáng e no total acharam mais de 4.600 caracteres individuais nelas, dos quais 3.000 aproximadamente já foram estudados por arquiólogos que conseguiram decifrar mais de 1.000.

As inscrições encontradas eram pictográficas, ou seja, eram caracteres feitos em forma de desenho, tentando mostrar a forma das coisas. Esses caracteres antigos tinham traços regulares e belas formas, demonstrando que mesmo há mais de 3.000 anos estas inscrições já haviam passado por longo processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento. Em descobertas recentes, em outras regiões da China, foram encontradas peças com inscrições que, segundo especialistas, datam de 5.000 anos atrás, confirmando a maturidade do jiăgŭwén anteriormente achado.