Arte Marcial Chinesa

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Zhōngguó Wǔshù (中国武术)

A forma mais completa de se referir às artes marciais chinesas seria simplesmente zhōngguó wǔshù (中国武术; arte marcial chinesa). Apesar disto, o uso mais comum é simplesmente wǔshù (武术).

Nos dias de hoje, a palavra wǔshù (武术) é mais utilizada para designar a versão moderna e desportiva da arte, concebida durante o período de ascensão da República Popular da China (1949). Desta forma, em muitos países usa-se a palavra gōngfu (功夫), para a arte marcial tradicional, criada para a guerra e defesa, e wǔshù (武术) para a prática desportiva do mesmo, seja na parte das lutas ou na parte das rotinas, denominadas de tàolù (套路).

Tàolù (套路) é nome do método de treinamento através da seqüências de movimentos pré-determinados. O praticante simula uma luta contra adversários, podendo ser praticado individualmente ou em duplas/grupos (como uma “luta combinada”), e ainda pode ser executada sem armas ou manejando armas tradicionais chinesas, como espadas, lanças, armas articuladas, etc.

Com a Revolução Cultural no começo dos anos 70, a arte marcial chinesa foi incentivada, tentando associá-la ao orgulho nacional ao invés de uma conquista individual.

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Kung Fu ou gōngfu?

Existe muita dúvida sobre a correta grafia ocidentalizada da palavra 功夫. Seria Kung Fu ou gōngfu?

A grafia certa com base no pīnyīn (拼音), sistema de romanização dos ideogramas chineses, utilizada na China desde 1958, seria gōngfu.

A palavra Kung Fu se refere a romanização segundo o sistema Wade-Giles, criado em 1852. Este foi o principal método de transliteração da língua chinesa nos países de língua inglesa, durante maior parte do século XX, porém, atualmente, já foi superado pelo pīnyīn (拼音). Por isso, adotaremos a grafia gōngfu em todo o artigo.

O que é Gōngfu (功夫)?

O gōngfu (功夫) foi desenvolvido na China como uma arte de guerra a mais de 3.000 anos, e hoje é uma das artes marciais mais difundidas no mundo.

Seus movimentos são inspirados nos animais, na natureza e em aspectos culturais e históricos da China.

Como uma arte milenar, a origem do gōngfu (功夫) esta envolta em mistérios. Apesar de muitos atribuírem erroneamente ao monge indiano Bodhidharma, conhecido na China como Dámó (达摩).

A criação do gōngfu (功夫) foi um processo que se deu ao longo da história, e a maioria dos registros infelizmente se perderam no caminho. Eventos como o incêndio do Templo de Shàolín (少林寺; shào lín sì), furtos e diversas guerras são algumas razões por não termos hoje muitos documentos que auxiliem no estudo da história desta arte milenar.

Além da história oral, passada de pai para filho e de mestre para aluno, alguns indícios como gravuras ou armas encontradas por escavações arqueológicas dão algumas pistas da idade desta arte marcial.

Dentro das práticas do gōngfu (功夫), existem as escolas nèi jīa (內家, escola interna), que dão mais ênfase no cultivo do qì (气), energia interna, e wài jiā (外家, escolas externas), que dão mais ênfase na parte de aptidão física, como força muscular e rapidez de movimentos, apesar de também terem trabalho com a energia interna.

Alguns exemplos de nèi jīa (內家, escola interna), são:

- tài jí quán (太極拳);

- xíng yì quán (形意拳);

- bā guà zhǎng (八卦掌);

- liù hé bā fǎ quán (六合八法拳).

Estas imagens fazem parte do acervo do Centro de Estudo da Língua e Cultura Chinesa e foram tiradas durante nossa visita ao Tiāntán (天坛; Templo do Céu), onde todas as manhãs centenas de pessoas se reúnem para a prática do tài jí quán , e na Wudang Taoist Kung Fu Academy, onde tivemos uma demonstração de tài jí quán, bā guà zhǎng e formas com armas.

Alguns exemplos de wài jīa (外家, escolas externas), são:

- shào lín quán (少林拳)

- shuāi jiāo (摔角);

- sàn dă (散打).

Estas práticas, além da divisão de “internas” e “externas”, ainda são divididas em “estilos”, ou seja, as diferentes maneiras de desenvolver as técnicas criadas e compiladas pelos diferentes mestres.

O significado literal do Gōngfu (功夫)

Como vimos, o termo “gōngfu (功夫)”, muito popular nos dias de hoje, é usado corriqueiramente para designar as artes marciais chinesas. Popularizado por causa dos filmes e seriados da TV entre os anos 60 e 70, é difícil encontrar uma pessoa que nunca tenha ouvido falar nesta palavra.

Contudo, seu verdadeiro significado estaria ligado a algum tipo de “conquista através de esforço”, de “treino árduo e contínuo”, ou seja, qualquer pessoa que se dedicar com paciência e persistência a uma atividade pode ter um bom gōngfu (功夫).

Um escriba que se dedica a aperfeiçoar a escrita terá “gōngfu (功夫)” em caligrafia, assim como o açougueiro que corta a carne com precisão ou o poeta que estuda suas palavras. Todos podem ter “gōngfu (功夫)” em suas áreas.

Dizer que uma pessoa tem “gōngfu (功夫)” significa, então, que ela tem boa habilidade na sua área de atuação, e que foi atingida através de trabalho duro e perseverante.

Exemplo:

你做中国饭的功夫真不错。
nĭ zuò zhōng guó fàn de gōng fu zhēn bù cuò.
Sua habilidade de fazer comida chinesa é realmente muito boa.


Mas então, qual seria o nome correto para “arte marcial chinesa”?

DÁMÓ QÌGŌNG - 达摩气功

Nesta seção apresentamos a tradução do curso simplificado de Dámó Qìgōng como é ensinado pela Wudang Taoist Internal Alchemy, com exercício preparatório, cinco posturas do Dámó Qìgōng e a meditação jejum do coração-mente.

A versão completa do Dámó Qìgōng contém 49 posturas e sua prática é o primeiro passo na "preparação da fundação", segundo a metodologia adotada pela Wudang Taoist Internal Alchemy.

Existem diversas variações desta prática e o método aqui descrito é singular e muito eficiente.

- Sobre Dámó (达摩) e o Dámó Qìgōng (达摩气功)

- Exercício preparatório: Bā Duàn Jĭn (八段锦) - As Oito Peças de Brocado

Prática do Dámó Qìgōng (达摩气功)

Meditação Jejum do Coração-Mente

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GÙ JĪNG GŌNG - 固精功

FIRMANDO O JĪNG

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A conservação, estabilização e transmutação do jīng (精, essência) é uma das questões iniciais mais importantes para aqueles que praticam as artes daoístas, uma vez que jīng (精, essência) é a base para o processo de alquimia interna.

Muitos praticantes após conservar seu jīng (精, essência) por algum tempo acabam sofrendo de emissão noturna, perdendo parteda sua energia. Existe muita discussão se a emissão noturna causa de fato grande perda de energia, uma vez que esta ocorreu de forma natural.

Para se poder acumular jīng (精, essência) de maneira prática, se faz necessário a sua conservação, estabilização e transmutação.

Estabilização do Jing: 固精功 - Gù Jīng Gōng - Firmando o Jīng, que pode ser realizado à noite logo após a prática do Dámó Qìgōng.

Toda noite antes de ir para a cama, assuma a seguinte postura em pé:

- Pés separados um pouco mais do que a distância dos ombros, com os dedos apontados para frente e levemente virados para dentro.

- Dobre levemente os joelhos.

- Braços e mãos relaxados ao lado do corpo e palmas viradas para trás.

- Mantenha a coluna ereta.

- Feche a boca, com os dentes se tocando e a língua repousando no céu da boca, atrás dos dentes.

- O queixo deve estar levemente para baixo e para trás.

Fique por alguns minutos nesta posição, relaxando todas as partes.

Inspire lentamente, contraindo xiàfù (下腹, abdômen inferior) e simultaneamente levante os calcanhares do chão, faça um punho com a mão, levante qiányīn (前阴, genitais), huìyīn (会阴, períneo) e hòuyīn (后阴 , ânus) e tensione todo o corpo.

Expire e simultaneamente, desça os calcanhares e relaxe todo o corpo.

Repita a respiração por 36 vezes.

 

Segundo a tradição, este exercício estabiliza o Jing e o praticante pode ir dormir em segurança.